terça-feira, 26 de maio de 2009

Dos nove aos dezenove

Aos nove eu sabia exatamente o que eu seria aos dezenove.
Seria atriz, cantora, apresentadora ou iria para o INSS aponsetada por invalidez, ou coisas do tipo.
Aos dezenove, não sei se termino o jornalismo.
Aos nove eu era tão madura e decidida, queria morar com meus pais até que eles morressem e depois mudar pra casa do meu marido.
Queria tanto um marido.
Um príncipe encantado, aquele do cavalo branco.
Eu acreditava nisso.
Aos dezenove sou tão madura e decidida, que na maioria do tempo sou tão imatura.
Imatura quando mais me acho madura.
As fantasias de morar com os pais e ter marido, depende muito do nível de maturidade que me encontro.
Aos nove me admistrava tão bem.
Também aos nove eu rezava pro tempo correr e eu poder completar logo meus trinta anos, pra já ter de bagagem varias viagens, dinheiro na conta, vários amigos e um apartamento com a sala de paredes de vidro e chão que fizesse toc toc, toda e qualquer vez que eu entrasse em casa com meu salto de 15 cm.
Aos dezenove quero aprender andar de salto.
Com nove anos não bebia e tinha vergonha do roque em róu que só eu cantarolava e ouvia.
Aos dezenove peço para o tempo engatinhar, do jeito que eu sempre quis, se não for devagar, Que ao menos seja eterno assim... e continuo a cantarolar músicas que poucos conhecem.
Aos nove eu curtia chiquititas e arrasava quando dançava black street boys, nas festas da escola.
Pegava fruta no pé, brincava de boneca, jogava bola, sabia escrever e levava altas rasteiras do meu irmão de cinco anos.
Queria ser minha mãe, meu pai e presidente.
Hoje me contento em ser eu, mesmo que ainda não tenha certeza do que o eu significa.
Eu como sempre com a certeza incerta de quem sou, isso não sei se começou aos nove ou aos dezenove.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Parei com a poesia.
Beijos com poesia
Parei.
Woodstock não.
Parei.
Woodsotck, poesia e beijo,
ah! chega
Me lembra e faz querer
coisas que conscientemente hei de me arrepender
de querer;
Mas quero tanto
Como me engano, quando digo que não quero
não quero por querer tanto.
Parei, cansei de querer, esperar.
Beijos, Woodstock e poesia não dá, é demais para mim hoje.
Por isso parei.
eu acho
cansei de parar.



brincado de arnaldantunear
não deu certo, mas deu nisso :)

domingo, 26 de abril de 2009

POÉSIE

J’ ai passé une heure à penser à un vers
Que ma plume n’a pas voulu écrire.
Pourtant, il est là-dedans
et ne veux pas sortir.
Mais la poésie de ce moment
inonde ma vie tout entière.



Hoje entendo bem... e não tente você entender o porque do Francês.
Entenda que Drummond é um dos meus poetas e caras favoritos.
Não entenda, só coloque Carla Bruni no som mais próximo e imagine uma bicicleta, você e frança na mesma frase.
Agora entende?






Flôr francesa pra dar sorte

sábado, 28 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Família é um troço engraçado.
Todo mundo reclama que junto nunca fica e por conta disso resolvem passar um final de semana juntos numa praia distante, numa casa distante de amigos próximos.
Na ida, uma alegria imensurável, incontável e contagiante.
O sobrinho da namorada do enteado é um pouco introspectivo e tem medo se duvidar da própria sombra.
A cunhada leva pra praia um menino que tem medo de mar, mas na saída de casa, podia-se ouvir coisas semelhantes - Ele não dá o menor trabalho, ele é tão quietinho, gracinha, leva sim!
Na chegada a fralda do menino menor, já é motivo de olhares feios e o pai controlando a boca da mãe para não falar com a namorada do enteado que ela é pouco porca e por de mais folgada.
A mãe controla a boca, mas não a cara feia.
A namorada do enteado faz piada e a mãe não ri e dá como resposta - Tô com uma dor de cabeça, e vira as costas.
Já a esta altura dos acontecimentos o discurso muda e a raiva da namorada do enteado, vai para o pobre do menino podre que vai a praia e mesmo tendo medo de mar.
– Ah! para. Moleque fresco, sem infância, ainda bem que o nosso pequeno não terá esse problema... Para que trás? Se não se diverte, ai dela se não ficar com ele, ai dele se der trabalho as elas da família.
O pai ri e bebe o filho, namorado e enteado também.
A filha que escreve também.
A filha do meio que é apaixonada pela enteada, mais do que pelo irmão diz que: Ela é folgada, puta que o pario, mas não fale mal dela, ele apronta demais com ela. E ah! Ele também é folgado.
O sobrinho faz graça e come sem parar
O Tio mais novo também.
Na volta pra casa o casal de namorados, volta mais cedo com a criança deles e a emprestada e fica aquela bagunça na casa distante dos amigos próximos.
- Te vejo lá em cima vovó coruja e acaba por soltar outra piada, que tem como resposta delicada – Tô com cólica e de novo as costas.
Fica todo mundo puto, palavrão já era coisa que saia naturalmente: Caralho! Olha esse banheiro, aqueles filhos da puta poderiam ter puxado a água depois do banho.
Coisas do tipo, coisas piores.
Quando chega o segundo o carro em casa, todos praguejam: Não olho mais o meu neto, que nem neto é...isso é.. apoiado, mãe e mulher.
Toca a campainha duas horas depois : Olha gente o menino chegou!!!
A me dá ele aqui vai, calma deixa ele matar a saudades da vó, né?! Ti coisa mais tilinda do mundo.
Filho, a gente ta pensando em voltar pra praia no próximo feriado, pra passar mais tempo a família toda junta...é bom, pro menino é pra gente.
Claro, vou falar com a namorada e vamos todos.
Ótimo, fala pra ela levar o sobrinho dela, tão bonzinho.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Descobri que tenho um problema.
Problema com pessoas que tem problemas e querem falar difícil e não falam nada.
Me cansa.
Perdem mais tempo procurando um sinônimo pra palavra do que escrevendo e acham que com isso falam, escrevem e pensam melhor e mais do que o resto da humanidade.

Sorte de hoje: A estrada para o verdadeiro amor sempre tem obstáculos
Sou extremamente preguiçosa e sedentária.


Tô chata.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O ônibus

Em Casa:
Meu sorriso não tem estado bonito como era, não tem aquela luz que tinha antes...
Acho que não tenho dado sorrisos sinceros ultimamente.
Agora não é hora para sorrir, vamos andando se não você perde a hora...
Você perdeu a hora, puta merda, Carolina...

No trêm:
Por que, não escrevo sobre amor de homem e mulher como todos os emos e mulheres fazem por ai?
Acho que meus conflitos internos tem me rendido mais assunto do que o amor, enquanto render e eu não chorar tá tudo certo...
Cara, faz tempo que eu não choro, e eu gosto de chorar, não tanto quanto rir, nem de motivos para chorar... mas eu gosto, aquelas caras no espelho e a ponta do nariz vermelha... e os olhos inchados do choro sincero... Ah! Por que não choro?

No Ônibus:
Entra um garotinho no ônibus, e me olha com aquele olhar iluminado e sorri;
E pela primeira vez em tempos senti a luz em meu sorriso e acho que ele também.
Ficamos meia hora sem trocar se quer palavra e inúmeros sorrisos.
Ao descer do ônibus, me sorriu o sorriso mais belo que tenho noticia, o meu não vi, mas deve ter sido tão grande quanto o do palhaço Bozo e tão sincero como o... como.. como o dele.
Quando ele virou a esquina com o seu último sorriso;
Chorei.

domingo, 18 de janeiro de 2009



http://beirutando.wordpress.com/


Participe!

Por que um pouco de música... de boa música, não faz mal a ninguém.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.






As vezes desconfio que o Oswaldo Montenegro me observa e lê minha alma.